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André Abujamra ( O HOMEM BRUXA) / Blog

O HOMEM BRUXA POR MAURICO PEREIRA

POR MAURICIO PEREIRA Eu sou o homem bruxa. Minha comida natural é o cheese egg bacon maionese: minha digestão é rápida, eu metabolizo bem. Minha visão é rápida, dupla, meu reflexo é rápido para poder enxergar o seu reflexo em um flash. Já meu tempo é curto: curto meu tempo integralmente até que ele se desintegre. Aí então, curto outros tempos, muitas vezes de ponta cabeça. Estudei Metafísica, Composição e Regência; Compostagem e Ambição. Minha mente quimica gera restos: reciclei, reciclo e reciclarei tudo o que vier pela frente. Tudo e todos também. Instrumentos: toco e depois quebro. Sempre. Porque quebrados eles soam quebrados, e quebrados eles soam pior, e pior eles soam melhor, um instrumento com seu código quebrado está livre. Para soar melhor, ou pior, ou maior. Sempre. Os arranjos são clássicos, claro, porque eu tenho 1000 anos, claro. A banda sou eu, claro, porque eu tenho 1000 mãos, claro. Meu código também está quebrado, claro: foi craqueado, fui craqueado. Depois que aprendi a estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, o entendimento expandiu minha visão da banda oculta: agora sim posso dizer que estou em trânsito. Levitação é muito simples. Ela é pura estética, é uma fase histórica, uma etapa, um pequeno detalhe da minha alma esférica: ela é o meu lugar ao sol, e muitas vezes é preciso levitar para entrar em órbita e ocupar esse lugar que me é reservado. Minha missão é a missão mais antiga do mundo: contar sobre. Sobre mim, sobre tudo, sobretudo sobre você. Destroncar, destronar, vazar e deixar vazar. O homem belo, o homem tronco, o homem banda, o homem nada, o homem tudo, o homem farsa, o homem distraído: na praça Marechal, conferir as horas, enfiar dois dedos na tomada, cuspir pra cima e seguir o meu caminho só. Vazar e deixar vazar. Eu sou o homem bruxa. E você?

O HOMEM BRUXA POR HIQUE GOMEZ

                                       O HOMEM BRUXA por HIQUE GOMEZ                                        O Grande Clown do Universo quando fez André Abujamra deve ter tido um monte de duvidas. Primeiro pensou em enviá-lo para as Arábias, mas logo viu que era chover no molhado. Depois olhou para o mapa-mundi e continuava em duvida. Como tinha mais o que fazer, fechou os olhos e jogou ele pra cima... Caiu no meio de São Paulo! Casualmente filho de um outro, que havia tido o mesmo destino nas mão do Criador  num de seus momentos de displicência criativa. Pai e Filho, dois malabares nas mãos do Grande Malabarista do Universo. A primeira ação criativa de André, tão displicente quanto a de seu criador,  foi o movimento feminista "Os Mulheres Negras" onde encontrou momentos de puro lirismo e diversão.   Inconformado com a condição duvidosa na qual fora criado pelo Grande Trapezista do Universo,  partiu para o oriente em busca de si mesmo , sem se dar conta de que ele já estava ali. Foi quando  deu de cara com o templo de Karnak. Mas deu de cara mesmo ! Cabisbaixo que andava pelas areias egípcias, pensando no futuro , no presente e no passado alternadamente, bateu com a cabeça em uma das colossais colunas do magnífico templo.  Naquele momento teve um mal súbito, e subitamente, ali, Alá lhe apareceu, é claro disfarçado de "Dono do Gran Circo Universal", e tudo lhe foi revelado... Foi então que compreendeu que "O Infinito Está de Pé"(titulo de uma de suas geniais canções), e isto mudou toda sua percepção acerca de si mesmo e a cerca branca de madeira de uma casinha com pátio e gramado onde ele mora no décimo andar de um apartamento onde os pássaros vem cantar pontos de umbanda para a mulher dele.    Sim! O Homem Bruxa, tem mulher!!!! Certamente uma outra etapa do movimento feminista iniciado com Os Mulheres Negras. Ora, um homem não pode ser Bruxa...ou é bruxa ou é bruxo... até pode... mas teria que trocar de sexo no momento da bruxaria...  Hum ... deixa ver... Acabo de falar com ele, e ele não muda de sexo... mas durante o numero de levitação precisa desativar todos os componentes de gênero. Quer dizer mexe com a questão mas não chega a ... bom... é isso!      Agora... ninguém sabe o que está por trás disso de bruxaria... só pode ser a mulher dele... é tudo o que posso dizer... ( Como assim??? Homem-Bruxa...).      

MAFARO SHOW FILME DE ANDRE ABUJAMRA E GIULIANO SCANDIUZZI por Maurício Pereira

Um ano atrás, o André Abujamra lançou o Mafaro. O que que é o Mafaro? É um show-filme (nada mais natural, pra um músico que já fez música pra mais de 40 filmes, que fazer um show filme…), um show-filme com 57 minutos de música e imagem, o Mafaro só acaba quando termina: uma canção pop gigante tocada por uma super big band que conversa com a tela do cinema, cinema cantado, cinema encantado, desenho animado, videoclipe agitado, concerto televisionado, navegação em nuvem comandada pela guitarra do maestro. E o Mafaro tem viajado um bocado pelo Brasil. Ele nasceu em algum lugar da África, na esquina com algum lugar dentro da cabeça do André, o que significa multiinfluências. E agora vai passar o fim de semana prolongado em São Paulo. Não por acaso. É que o André estreou esse trabalho exatamente no Auditório Ibirapuera há um ano, então essa pequena temporada de três dias é a festa de primeiro aniversário do Mafaro. E como Mafaro significa "alegria", na língua que eles falam lá no Zimbabwe, o André promete botar um ovo. Um ovo de páscoa. Um ovo de páscoa em pé. Como o coelho, como o inventor, como o descobridor, como o navegador dos 7 mares. Invenção, viagem e alegria, numa volta ao mundo em 57 minutos que volta ao Ibira, um ano depois, uma volta do mundo depois. Assistir o Mafaro é levar a alma pra fazer um download em banda larga. Na tela do Mafaro, você tem Luiz Caldas, Zeca Baleiro, Evandro Mesquita, Melina Mulazini, Kuki Stolarski, Marisa Orth, Antonio Abujamra e Zé Vitor Castiel. No palco do Mafaro, além do André Abujamra, você tem Marcelo Effori (bateria), Du Moreira (baixo), James Muller (percussão), Reginaldo 16 e Hombre Cerutto (trompetes), Tiquinho (trombone), Hugo Hori (sax tenor e flauta) e Kito Siqueira (saxes alto e barítono).

Hermano Vianna - Uma nova era - #2

Quando passeio pelo YouTube, não posso deixar de pensar: eis o novo folclore. Como diz o Kraftwerk: “Music, non-stop.” Festa, non-stop, tanto em termos geográficos como temporais. Todo mundo fazendo música, todo mundo fazendo clipes para as músicas dos outros, todos os quartos do mundo unidos por webcams numa produção musical/dançante/festiva constante e avassaladora. Ninguém se contenta apenas em ouvir a música: é preciso expor para o mundo sua própria interpretação sonora/visual/ coreográfica daquele hit do momento, numa conversa musical sem fim. Hit: não émais questão de discos vendidos, mas sim de views, audições, número de clipes feitos por fãs, o que pode gerar dinheiro com shows, pois os shows são materializações — também efêmeras, mesmo quando registradas por milhões de celulares — da festa que acontece na rede.

O hit do momento, a música que vai sacudir o Brasil neste verão é “Minha mulher não deixa não”. Fico na dúvida até se é música, e aqui não vai nenhum juízo de qualidade artística. Acho que é mais um mote, um tema para improviso e diversão das massas. Procure pelo título no YouTube. Você vai encontrar milhares de vídeos. Há a música tocada em todos os ritmos imagináveis, com muitas letras diferentes. Há tecnobrega, forró, samba, funk, sertanejo. Há respostas para a letra “original” (mas nesse caso ninguém sabe qual a verdadeira origem), inclusive dizendo o oposto: “Minha mulher não manda em mim”. Isso sem contar com os vídeos que apenas criam novas imagens para uma das versões da música, geralmente com gente se esbaldando de dançar, em seus quartos, quintais e ruas de todo o país. É uma grande brincadeira coletiva, uma explosão de criatividade jocosa, uma gargalhada eletrônica juntando incontáveis risadinhas (e, claro, para a atual Lei do Direito Autoral, toda essa brincadeira está fora da lei). Na vitrola, e mesmo na TV, perde grande parte da sua melhor graça.

vendas em canto nenhum.Diante dessa saudável bagunça toda, e do fechamento da Modern Sound, resta a pergunta: o disco acabou? Claro que não! Sei lá como vai funcionar o negócio, mas nunca escutei tanto discobom recém-“lançado” para Como o maravilhoso “Mafaro”, de André Abujamra, um dos meus preferidos de 2010. Diz a letra da faixa “Daunloudaram”: “Ei tudo bom/ Quem sabe algum dia alguém/ escute o seu som/ Ei num esquenta, esquece/ Já baixaram seu CD inteiro na/ internet.” Tomara que baixem mesmo, e comprem e façam vídeos incríveis para cada música (tomara que apareça um jeito de o artista ganhar dinheiro com isso). Motivos para a festa não faltam no disco. Festa de muitas fantasias étnicas: do afro-beat à farra árabe ou cigana, tudo linkado pela luz da cauda da flecha de Oxossi ou pela proteção de Logun-Éde. André se explica: “‘Mafaro’ quer dizer ‘Alegria’ na língua do Zimbábue. Este CD é para aceitar a alegria.” Tudo muda o tempo todo. Que todo mundo, incluindo meu querido Pedrinho da Modern Sound, fique protegido da tristeza e encontre motivos para alegria nova em 2011. E depois.

Hermano Vianna - Uma nova era - #1

Último dia de 2010. A Modern Sound, loja de discos de Copacabana, encerra suas atividades. A Blockbuster americana entrou com pedido de falência este ano. Fim de uma época. Lembro das minhas viagens de adolescente, do Rio de volta para Brasília, com LPs importados carregados cuidadosamente na sacola da Modern Sound — medo de o vinil empenar e assim perder a grana de muitas mesadas. Estranho, agora me dou conta: nunca mais tinha comprado nada ali. E nas minhas mais recentes viagens internacionais trouxe pouquíssimos CDs.

Meu som está quebrado, não tem peça para reposição, e fico com preguiça de tentar resolver o problema. Não baixo música, escuto quase tudo o que me interessa via YouTube, ou sites de streaming. Nem penso em arrumar mais espaço em prateleiras (na verdade no chão da minha casa, onde pilhas de CDs e LPs atravancam todos os caminhos) ou nos discos rígidos para armazenar pesados arquivos sonoros. Tudo está na “nuvem”, abençoada nuvem, facilmente navegável com a ajuda do Google. Esses meus novos hábitos não são minoritários. O fechamento da Modern Sound é mais uma prova de que todo mundo passou a consumir música online.

Ou não. A internet não é a única culpada. O buraco do modelo de negócios fonográfico é bem mais embaixo, ou acima e por todos os lados. E também não é só questão de economia. Vivemos uma grande transformação cultural no modo como nos relacionamos com a música. Mais precisamente: voltamos ao padrão básico de consumo musical da humanidade, aquele que prevaleceu na maior parte das culturas e mesmo na história da chamada civilização ocidental até pelo menos o início do século XX. Música quase sempre foi um bem efêmero, sem registros físicos (mesmo partituras são invenções recentes). Só com a chegada dos toca-discos e depois dos gravadores é que isso mudou e as pessoas aprenderam a comprar discos e fitas para escutar em casa na hora que sentissem necessidade. Mesmo durante o tempo de império do fonograma, as comunidades que ainda produziam “folclore” tinham uma outra relação com a arte sonora, nunca tratada exatamente como arte. Não havia divisão clara entre quem tocava e quem escutava, tudo era feito na hora, mais ou menos improvisadamente, com autoria coletiva. A ideia de se registrar aquilo para escutar depois, fora da festa, não fazia sentido. Para escutar novamente aquela música, ou para fazer de novo aquela música, a gente precisava esperar por novas festas.

(cont.)

Mafaro @Leoni_a_jato - #3

Apesar de sermos artistas muito diferentes, alguns temas nos são comuns e nos aproximam, como a reflexão sobre o que é a felicidade (Mafaro, Lexotan, Logun Edé) ou sobre como o mundo depende muito da nossa forma de olhá-lo (A Pedra Tem Vida, Duvião). Mas é como ouvinte que tenho a maior conexão com o trabalho do Abu. Os artistas que eu mais admiro são os que encontram uma voz pessoal e conseguem criar um universo musical próprio. E, nesse ponto, é difícil superá-lo e a seu Mafaro. Grande disco para os que se arriscarem a fazer a viagem sem olhar pra trás.

Mafaro @Leoni_a_jato - #2

Origem, que abre o disco, tem um clima celta misturado a um tema empolgante como o da série Hawaii 5-0, tudo modernizado. Pensando melhor é Black Rio tocando na corte do Rei Arthur. Mas tem uma hora que vai todo mundo para o Oriente Médio. Isso acontece logo antes de invocar todos os orixás em português e inglês. África na veia!

A letra de Imaginação, list-song de imagens surreais, define de raspão o que é escutar Mafaro: “O mundo de dentro da gente é maior que o mundo de fora da gente / O mundo de dentro da gente é o espaço sideral.” No caso do Abu, é verdade. É tudo fruto da sua imaginação sem âncoras. O mundo real é só o ponto de partida. O dele é muito mais exuberante.

Lexotan é latina e brasileira. Com a participação do Zeca Baleiro, fala de como a tristeza parece mais profunda que a alegria e ecoa Leminski – “um homem com uma dor / é muito mais elegante”. Talvez seja o mais próximo de uma canção convencional em todo o trabalho. Será um single?

A Pedra Tem Vida começa no Norte da África, mas, como sempre, os ventos musicais levam a música para outras paragens, como se não houvesse distância nem fronteiras a serem cruzadas. Mas esse é olhar que domina Mafaro, sempre inesperado: “Preste atenção nas coisas que não chamam atenção”.

Uma a Uma é instrumental durante quase 3 minutos e alterna tantos climas e linguagens que de nada adiantaria um mapa para percorrer essas terras musicais. Começa com uma guitarra que lembra Radiohead, mas em alguns segundos os metais e a levada conduzem para uma explosão de outras referências que vão desembocar num vocalise de sabor árabe. Ouvir esse disco não é para amadores. A música se desconstrói e reconstrói até chegar perto do fim quando aparece a letra, mínima e inspiradíssima, desconstruindo agora a vida em pequenas partículas, uma a uma.

O Amor começa com locução de Evandro Mesquita sobre as dificuldades dos relacionamentos - com frases brilhantes como “Que o amor, esse é difícil / cai em pingos de piano na minha sopa”- emoldurada por cordas clássicas. Mas acaba desembocando em algum lugar plebeu da Europa Oriental. O amor, é complicado esse assunto, tanto no Rio quanto no Velho Mundo. A letra, outra list-song tipicamente “abujâmrica”, é bem humorada mas angustiada. E que arranjo de metais! E de cordas! Grandiosos como o tema abordado.

Adoro Tem Luz na Cauda da Flecha, um reggae sobre Oxossi. A letra, incompreensível para mim, ajuda a levar a viagem ainda mais para longe. Dá para ser estrangeiro sem sair do Brasil. E ainda tem o auxílio luxuoso de Luis Caldas!

Logun Edé tem instrumentação muito econômica, especialmente para os padrões do Mafaro. E fala de viver na alegria. As cordas do fim são lindas.

Daunloudaram é de uma riqueza instrumental impressionante, cheia de contracantos, e aborda o atualíssimo tema da música circular gratuita e livremente pela internet e das conseqüências para a nossa profissão.

Como definir Abuxiscuruma? Não sei, mas é bom demais. O rapper Xis, Curumin e André Abujamra juntos. Divirta-se.

Duvião tem o olhar infantil preservado por um artista que, como todos, vive dentro de um avião para chegar nos quatro cantos desse país.

Mafaro, delicada exaltação da felicidade - e africana já no nome -, abandona o continente negro no meio da canção para um rap em inglês “estrangeiro” com acompanhamento de cordas e percussão que soam como trilha de um filme de suspense. E volta para a África para encerrar o disco como se o mundo fosse tão pequeno quanto é enorme a criatividade de André Abujamra.

Mafaro @Leoni_a_jato - #1

Mafaro – o mundo mapeado por Andre Abujamra

Cuidado! Você está entrando em um mundo que tem pontos de contato com o que nós habitamos e que, por isso, é muito perigoso e enganador – mas que é fascinante.

Nem tão aos poucos assim, quem se arrisca nessa viagem por Mafaro – 3º disco solo de Andre Abujamra -, que quer dizer Alegria na língua do Zimbabwe, se dá conta de que, nesse mundo, os Bálcãs fazem fronteira com a África, que virando uma esquina numa rua perdida na Jamaica você acaba no Nordeste do Brasil ou no Oriente Médio. Tudo é igual, mas diferente. O que recria fronteiras e continentes é a língua universal da música, que o artista usa com total liberdade.

Aviso aos diletantes: não tentem fazer isso em casa. Não vai dar certo e pode ter conseqüências esteticamente desastrosas. Até porque, que outro artista é capaz de dominar tantos idiomas musicais e tantos instrumentos para falá-los? No disco Abujamra toca guitarra, violão, baixo, percussão, samplers, acordeon, imbira, sintetizadores e bandolim. Além de cantar e fazer arranjos de metais e de orquestra!

As longas introduções instrumentais como as de Daunloudaram, Uma a Uma e Origem dão logo a certeza de que esse não é um disco pop. Pelo menos, não no reducionista mundo pop de hoje. Em primeiro lugar, a voz é usada como mais um instrumento - muito longe de ser o principal - e as letras são só mais uma entre diversas peças desse quebra-cabeça multicultural. Depois, a instrumentação sofisticada indica um artista originalíssimo que domina diversos idiomas musicais que não evita em usar – mesmo que isso o torne inclassificável. Mas não há nenhuma afetação intelectual. É um trabalho divertidíssimo.

Outra grande diferença é o formato das músicas. Em muitas delas as partes são costuradas como numa suíte, poderiam ser canções independentes com seus arranjos e melodias inteiramente distintos. Mas, coladas, fazem todo sentido. A produção caprichadíssima de Sérgio Soffiatti ajuda a realçar essa metralhadora de criatividade.

Mafaro @marcelotas

A população de humanos caminha velozmente para sete bilhões de seres. É gente pra dedéu mas ainda tem mais. As redes digitais entram em campo e potencializam geometricamente a fricção entre cérebros e vísceras. Uma verdadeira suruba criativa. Toda essa agitação mental não deixa dúvida: tudo já foi pensado e irremediavelmente realizado sobre a face da Terra, certo? Errado! Num ato absolutamente não monitorado pelas autoridades, um cidadão aparentemente inofensivo- ex-gordo, ex-habitante de São Paulo, ex-mulheres negras- conseguiu escapar dessa contaminação de obviedades. Secretamente, se refugiou num lugar estratégico: Curitiba! Neste centro urbano- nem grande nem pequeno, nem bonito nem feio, que nem fede nem cheira- o rapagão, em silêncio de monge tibetano, remasterizou sua própria mente e pariu Mafaro. Apesar de sua eterna cara de bebê Johnson, André Abujamra já percorreu longa estrada profissional. Músico e compositor, se notabilizou por montar e desmontar bandas como uma criança brinca de origami. Também já criou jingles e trilhas sonoras para cinema e TV. É um dos responsáveis por aquele poderoso mantra que grudou para sempre em nossas cabeças: "Bum Bum Bum Castelo Rá-Tim-Bum… Bum Bum Bum Castelo Rá-Tim-Bum…". Agora, vem o safado do gordo, disfarçado de ex-gordo, dizer que Mafaro significa “alegria” em alguma lingua africana. Pura "paia", pista falsa para ludibriar almas incautas... Mafaro é na verdade uma bit-torrente de mundos imaginários sem localização geográfica ou identidade definidas. Repare bem: esta é sua virtude. Com um “play” somos instantanemente ejetados para viagens aleatórias: de um bordel em Cuiabá para um culto evangélico em Moscou; de um acampamento cigano na Europa do Leste para a platéia do circo Vostok em Belo Horizonte. O álbum é um desenho em ondas sonoras da equação quântica dos nossos dias. Sem tempo para nada, resta-nos a possibilidade de mergulharmos para dentro de nós mesmos num clique. Mafaro ensina o truque: a beleza não é o que se vê. Basta prestar atenção nas coisas que não chamam atenção e uma gota de orvalho no telhado vira jóia rara. Preste bem atenção e boa viagem.